quarta-feira, 16 de março de 2011

Da Imagem

A imagem substitui a verdadeira experiência sensorial.
A imagem não existe, é um falso consenso sobre a existência das coisas.
A palavra não existe, palavra é imagem falada.
A escrita é palavra - ou seja, a imagem falada - retransformada em imagem.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Naquele momento, o mesmo pensamento ocorreu a todos. "Ele foi o primeiro a ficar cego. Talvez todos recobremos a visão."
A comemoração não era inteiramente por ele.
Nos próximos dias, nas próximas semanas, ninguém dormiria de tanta ansiedade.
Veriam novamente. Desta vez iriam realmente ver.
Quem seria inseguro a ponto de prender-se ao cobertor da cegueira?
Quem seria tão tolo a temer que sua intimidade fosse perder-se?
E essa mulher que estava tão estranhamente calada, e que havia suportado tal fardo, e que, agora, estava repentinamente livre?
Ela já podia imaginar as vozes da cidade gritando "Posso ver!"
"Estou ficando cega", pensou.
(extraído do filme "Ensaio Sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Penso... Vazio!

Penso eu que penso muito, muito mesmo... Penso sobre o amor, sobre as pessoas, sobre o universo, sobre o mundo, sobre o não-mundo, sobre o pensamento e, no fim das contas, todo esse pensamento é sobre mim.
Penso sobre tudo... mas não falo sobre tudo.
Só falo de mim, não sei falar de outra coisa. E, ainda assim, tudo que sei é nada. Não há certeza, não há verdade, não posso afirmar nada sobre mim.
"A vida é feita mais de perguntas do que de respostas", dizem.
Talvez "resposta" seja só uma mentira inventada para aliviar a sensação de vazio causada pela pergunta.
Mas porque fugir desse vazio, se ele sempre volta, sempre reivindica o reconhecimento da sua existência? Porque ignorar o que talvez seja a única prova de nossa existência?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Culinária & Utopia


Há de chegar o dia em que Culinária e Revolução serão sinônimos!


Bolo Vegano de Beterraba

- 1 beterraba grande ou 3 pequenas (150g);
- 1/2 xícara de óleo;
- 1 e 1/2 xícara de água;
- 2 xícaras de açúcar;
- 3 xicaras de farinha e trigo (pode ser metade integral, metade refinada);
- 1/2 colher (de sopa) de fermento em pó ou 2 colheres (de chá) de bicarbonato de sódio;

Rale a beterraba e bata junto com o óleo e a água no liquidificador até virar um líquido homogêneo.
Em um recipiente separado misture os ingredientes sólidos (açúcar, farinha e fermento) e, em seguida adicione a mistura líquida.
Misture bem, até ficar homogêneo .
Coloque a massa numa forma (daquelas com o furo no meio) untada com óleo e farinha, leve ao forno pré-aquecido a 240ºC e deixe assar por uns 35 minutos.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010



E todo o ar que respiro é passageiro e sopra sobre minha pele.

E todo o chão que piso é passageiro e corre sob meus pés.

E toda a matéria que toco é passageira e escorre pelas minhas mãos.

E todo o pensamento que tenho é passageiro e flui para o infinito...

domingo, 5 de dezembro de 2010

Existir é ouvir atentamente o silêncio da pedra caindo no poço da alma.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Razão pra quê, se as emoções são mais sábias do que os pensamentos?

sábado, 9 de outubro de 2010

A Realidade, essa da qual tanto falam, a qual tanto reivindicam e defendem, não passa de uma abstração inimiga.

domingo, 12 de setembro de 2010

De quantos muros é feita a cidade?
De quantos tijolos são feitos os muros?
De quantos tijolos é feita a cidade-muro?

Quantos cantos são formados por muros?
Quantos vãos existem entre os muros?
Quantos vãos existem entre os tijolos dos muros da cidade?

Quanto de dor existe em cada tijolo?
Quanto de amor existe em cada vão?
Quanto de esperança existe em cada canto?
Quanto de medo existe em cada muro?

Do quanto de cidade-muro é feita a alma humana?

sábado, 28 de agosto de 2010

720 pontos em direções opostas e desopostas ao mesmo tempo/não-tempo

É como se o corpo não fosse arquitetado para suportar tantos sentimentos e sensações com tanta intensidade.

É como se as palavras, as imagens, o mundo que conheci já não tivessem nada a ver com o que experiencio.

É como se eu me desmontasse e remontasse milhares de vezes, procurando a melhor forma para ressoar os acordes dessa melodia.