Coisas para fazer...
Pessoas para ver...
Lugares para ir...
Problemas para criar...
Quartos para bagunçar...
Relógios para quebrar...
Músicas para tocar...
Filmes para assistir...
Compromissos para faltar...
E poemas para (não) terminar...
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Pés no Chão
Hei vocês aí
Com seus motores,
máquinas, vias, rodovias.
Aonde pensam que vão
Com toda essa pressa?
A uma viagem intergalática?
Obrigado, não quero carona.
Para onde vou, posso ir a pé.
Só me façam um favor:
Respeitem os que não quiseram participar
Dessa suja guerra motorizada.
Para nós, bastam a terra e a paz;
Podemos ter tudo aqui.
Já vocês,
Aspirantes a viajantes intergaláticos,
Eu não os entendo.
E depois dizem que nós é que não temos os pés no chão.
Com seus motores,
máquinas, vias, rodovias.
Aonde pensam que vão
Com toda essa pressa?
A uma viagem intergalática?
Para onde vou, posso ir a pé.
Só me façam um favor:
Respeitem os que não quiseram participar
Dessa suja guerra motorizada.
Para nós, bastam a terra e a paz;
Podemos ter tudo aqui.
Já vocês,
Aspirantes a viajantes intergaláticos,
Eu não os entendo.
E depois dizem que nós é que não temos os pés no chão.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
O ritual de adoração aos motores
Os costumes de diversos povos sempre foram objetos de profundos estudos, e não à toa. Muitos intelectuais se dedicaram a investigar os rituais e os mitos a fim de compreender as relações que estes povos tinham com a natureza, com o desenvolvimento humano, com a violência e com as técnicas e tecnologias.
Há, na sociedade onde vivo, o curioso ritual de adoração aos motores.
Os monstros ruidosos devoram um líquido sagrado - que é conseguido a custa de muitas vidas - enquando correm dando voltas, cada um com um homem em seu dorso.
É permitido a alguns humanos que assistam a esse impressionante evento, mas para isso têm de pagar uma grande quantia em dinheiro aos deuses e semideuses que governam a sociedade. Aqueles que não conseguem tal privilégio são mantidos à distância, como ordenam as leis divinas.
Este ritual, tão importante para a manutenção da sociedade e da fé nesta cultura, não pode ser violado em hipótese alguma, por isso soldados são espalhados pelas redondezas da arena onde correm os monstros, a fim de assegurar que os humanos que vivem na região não cheguem perto, nem tentem se apossar das moedas que frequentemente caem dos bolsos daqueles que puderam assistir o evento.
Ao fim dos dias de ritual, os monstros, já cansados, são desmontados e recolhidos; os deuses e semideuses voltam para o seu Olimpo; são levantadas bandeiras com diversos brasões, e imagens dos homens que estiveram no dorso dos monstros são espalhadas pelo mundo; os privilegiados que puderam ver todo este espetáculo místico voltam para suas casas (em geral longe da arena) e, finalmente, os meros mortais que foram mantidos à distância podem voltar para suas rotinas com um renovado respeito pelos motores, respeito que se deve talvez pelo temor de serem eles os próximos devorados por aqueles monstros que rugiram alto por dias.
Há, na sociedade onde vivo, o curioso ritual de adoração aos motores.
Os monstros ruidosos devoram um líquido sagrado - que é conseguido a custa de muitas vidas - enquando correm dando voltas, cada um com um homem em seu dorso.
É permitido a alguns humanos que assistam a esse impressionante evento, mas para isso têm de pagar uma grande quantia em dinheiro aos deuses e semideuses que governam a sociedade. Aqueles que não conseguem tal privilégio são mantidos à distância, como ordenam as leis divinas.
Este ritual, tão importante para a manutenção da sociedade e da fé nesta cultura, não pode ser violado em hipótese alguma, por isso soldados são espalhados pelas redondezas da arena onde correm os monstros, a fim de assegurar que os humanos que vivem na região não cheguem perto, nem tentem se apossar das moedas que frequentemente caem dos bolsos daqueles que puderam assistir o evento.
Ao fim dos dias de ritual, os monstros, já cansados, são desmontados e recolhidos; os deuses e semideuses voltam para o seu Olimpo; são levantadas bandeiras com diversos brasões, e imagens dos homens que estiveram no dorso dos monstros são espalhadas pelo mundo; os privilegiados que puderam ver todo este espetáculo místico voltam para suas casas (em geral longe da arena) e, finalmente, os meros mortais que foram mantidos à distância podem voltar para suas rotinas com um renovado respeito pelos motores, respeito que se deve talvez pelo temor de serem eles os próximos devorados por aqueles monstros que rugiram alto por dias.
domingo, 20 de novembro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Faz tempo que não chove aqui, dentro de mim...
O céu se anuvia sempre, relampeja e tudo mais, mas a chuva demora, demora, e acaba não caindo.
Admiro as pessoas chuvosas, os vários tipos;
As tempestuosas e as garoentas também.
Pelo menos elas chovem, e lavam seus telhados poluídos, irrigam seus solos...
Minha chuva é rara, às vezes cai umas gotinhas, mas o céu continua carregado.
Minhas plantas parecem que não dependem da chuva para crescer.
Crescem por si só, com o solo seco mesmo,
Ou talvez irrigadas pelo sangue que é derramado nas guerras tão comuns nesse território.
O céu se anuvia sempre, relampeja e tudo mais, mas a chuva demora, demora, e acaba não caindo.
Admiro as pessoas chuvosas, os vários tipos;
As tempestuosas e as garoentas também.
Pelo menos elas chovem, e lavam seus telhados poluídos, irrigam seus solos...
Minha chuva é rara, às vezes cai umas gotinhas, mas o céu continua carregado.
Minhas plantas parecem que não dependem da chuva para crescer.
Crescem por si só, com o solo seco mesmo,
Ou talvez irrigadas pelo sangue que é derramado nas guerras tão comuns nesse território.
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